segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Os lucros astronômicos do tráfico no Rio

Os lucros obtidos através da venda de drogas no Rio de Janeiro são mesmo impressionantes. Veja o exemplo abaixo:

Dia desses, policiais da 36ª DP (Santa Cruz) prenderam um empresário paulista de 28 anos enquanto transportava 10 quilos de pasta-base de cocaína, na Avenida Brasil, altura de Parada de Lucas. O entorpecente estava escondido dentro do estepe de uma caminhonete S-10.

Segundo a polícia, o material está avaliado em R$ 120 mil, já que cada quilo de pasta-base custa R$ 12 mil aproximadamente. Dono de uma oficina mecânica de bacanas em São José dos Campos e de uma lanchonete, no Rio, Leo Thiago da Fonseca Júnior (foto) ficaria com R$ 10 mil, já que recebe em média R$ 1 mil por quilo da droga transportada de São Paulo para o Rio.

As investigações revelaram que o paulista fazia o transporte da mesma quantidade de droga dia sim, dia não. Ou seja: em um mês, ele faturava R$ 150 mil transportando cocaína.

Com um quilo de pasta-base, faz-se dois quilos de cocaína pura já refinada. Como os traficantes ainda adicionam mistura, que entre outras coisas leva fermento em pó, bicarbonato de sódio, pó de mármore e até cimento branco, o quilo da pasta-base acaba rendendo de 4 a 5 quilos de pó vendida nas bocas de fumo.

Chefe fica com 1/8 do lucro
Assim, os 10 quilos da droga apreendidos e avaliados em R$ 120 mil renderiam aos traficantes R$ 600 mil. Fontes da polícia dizem que desse total, o 'dono' do morro ou favela fica com 1/8, nesse caso com R$ 75 mil de lucro. O restante serve para pagamento de 'funcionários', armamentos, entre outras despesas.

E olha que nós estamos falando de apenas uma carga. Apenas esse traficante preso trazia ao Rio uma carga dessa a cada dois dias. Em um mês, só com cargas desse paulista o tráfico do Rio faturava cerca de R$ 9 milhões. Imagine, no entanto, quantos não fazem o mesmo serviço e com outras variedades de entorpecente. É impressionante mesmo!

O preso em questão trabalhava para a facção Comando Vermelho e abastecia favelas como Fallet e Fogueteiro, em Santa Teresa, Turano e Salgueiro, na Tijuca, Antares, em Santa Cruz, Mangueira e o Complexo do Alemão. A polícia acredita que a droga seria refinada no Alemão ou na Penha, onde há refinarias de cocaína.

2 comentários:

  1. ahhh
    grande parte do dinheiro vai pra policia , o arrego é grande , por isso esses traficantes de morro , só vivem na merda.

    ResponderExcluir
  2. Bernard Mandeville5 de agosto de 2010 20:49

    Interessante destacar que de toda essa cadeia de crime organizado, os armamentos são os produtos de maior valor agregado. Coca e maconha são "plantations", extrativismo. O "frete" é residual, creio que a polícia superfature os valores do frete a cada apreensão para dar destaque e criar fato sobre uma apreensão como essas. Se o frete custasse tanto o tráfico compraria carros lícitos com o dinheiro e os laranjas que possuem e contrataria gente honesta para fazer o frete pagando 2 mil por carga. E choveria candidatos.

    Isso tudo é pano de fundo para o tráfico de armas, pois se um carregamento desses gera mais de 100 milhões de reais por ano, 100 carregamentos gerariam mais de 11 bilhões de reais por ano! Essa grana toda não fica com policiais, eles também vivem na merda como os traficantes, porém moram mal e compram um Corolla. Mas vivem na merda.

    Essa grana vai parar na indústria bélica que, apesar de o número de guerrar ter diminuído significativamente desde os anos 70, nenhuma fábrica de armas quebrou como os setores do petróleo ou o sistema financeiro. Qual o mistério da solidez dessas empresas???????

    Em tempo, traficantes e PMs não falam inglês, alemão ou sabem andar pela Áustria, Alemanha ou Israel. Tem muito bacana que posa de boa gente na TV e intermedeia esse comércio. Gente que estudou em bons colégios e casou as filhas com quem manda nesse país. É nesses caras de Vieira Souto, ternos indefectíveis e olhos claros que a PF tem de ficar de olho. Neles e na indústria que fabrica as armas e as munições que matam essa gente parda e desdentada no nosso país: traficantes, pms e os cidadãos, principalmente os de baixa renda.

    ResponderExcluir