domingo, 1 de agosto de 2010

Bala perdida com nome e endereço


As balas perdidas do Rio terão em breve nome e endereço do remetente. A Polícia Civil anunciou uma inovação que colocará marcas de identificação em todas as munições usadas por unidades policiais. A tecnologia foi desenvolvida em parceria com pesquisadores do Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O produto químico adicionado ao projétil é um derivado do petróleo e que emite luminosidade quando submetido a raios ultra-violeta. "A olho nu, é uma munição comum. A ideia é que tenhamos uma tonalidade de cor para cada delegacia e para cada batalhão. Assim, será muito mais fácil identifcar de onde partiram os tiros disparados por policiais. Vamos evitar mortes e auxiliar o trabalho da perícia", disse o chefe de polícia Alan Turnowski.

O professor Claudio Lopes, da UFRJ, explicou que a cor não é o mais importante e que a identificação da munição se dará pela concentração da substância, o que será verificado com precisão em exames feitos em laboratório. "A fluorescência, no entanto, fica marcada na munição, na mão e roupa de quem efetuou o disparo e em tudo o que for atingido pelo projétil".

Trajetória
No caso da morte do menino Wesley Andrade, 11 anos, por bala perdida dentro da escola, em Costa Barros, a bala de fuzil que o matou teria deixdo marcas nos vidros da sala de aula, por exemplo. "Caso a bala se perca, não acerte ninguém, temos ao menos como determinar a sua tragetória", explicou Turnowski.

Para ser produzida e usada por forças policiais, a munição ainda depende de regulamentação. "Ainda não sabemos se isso pode ser feito por Lei ou resolução. Mas o governo do estado fará contato com as autoridades federais para resolver essa questão", afirmou.

Perícia mais rápida
Entre os perídos de desenvolvimento do produto e de testes, foram quatro meses. Os policiais usaram munição recarregável, de qualidade inferior, e fizeram 500 disparos. Os testes aconteciam no mesmo momento em que Wesley era baleado. Caso fosse possível identificar a munição, o perícia só precisaria ser feita em poucos fuzis, de policiais de determinada unidade, e não em mais de 40, como está sendo feito nessa investigação. O resultado pode sair em até 9 meses.


Primo do luminol
O custo da munição marcado também não foi revelado, mas as autoridades garantes que é irrisório. A marcação, de acordo com os pesquisadores, é uma espécie de DNA químico, e um primo do Luminol, produto que reage à hemoglobina, muito usado em perícias criminais. "Estávamos estudando, aprimorando o luminol quando chegamos a esta substância. Não foi algo pensado, aconteceu por acaso, explicou o professor Claudio Lopes.

O professor explicou ainda que o produto resistiu à combustão da pólvora a uma temperatura de 2.350 graus, atingida dentro de um projétil na hora do tiro. Detalhes sobre os produtos usados não foram revelados, até porque a substância ainda não foi patenteada pelos pesquisadores.
O toxicologista Ségio Rabelo, da Polícia Civil, esclareceu que os produtos usados não são tóxicos, mas sim orgânicos e que não haveria riscos para a saúde de uma pessoa baleada. "Mas ainda assim, realizaremos testes para excluir totalmente o risco", disse.

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