terça-feira, 6 de abril de 2010

Hospitais públicos e o medo da imprensa

Dias desses fazia uma reportagem sobre um verdadeira tragédia ocorrida num dos acessos ao Morro São João, no Engenho Novo. Inconformado com a separação, um homem atirou na ex-namorada, matou os pais dela, ateou fogo na casa onde morava e cometeu suicídio.

A jovem, de 24 anos, sobreviveu e foi levada para o Hospital do Andaraí. Na esperança de encontrar algum parente ou amigo da família que pudesse esclarecer o ocorrido, fui até a unidade, que fica no bairro de mesmo nome. Como não se tratava de nenhuma denúncia contra o hospital, cheguei ao local em veículo caracterizado do jornal.

Assim que desci no pátio, escutei um funcionário falando sobre o caso. Me aproximei, disse quem eu era e perguntei se ele sabia algo sobre os parentes da menina, com que eu precisava falar. Sem crachá ou fotógrafo (que chamam muito a atenção), fui rapidamente abordado por um funcionário da segurança, informando que eu não poderia ficar ali sem autorização.

Expliquei que pretendia apenas encontrar familiares da vítima de uma tragédia e que a minha reportagem não tinha qualquer relação com o hospital, ao menos em princípio. De nada adiantou. Fui levado a uma sala, onde um funcionário me levou a outra, próxima ao gabinete da direção.

Haviam informado que iriam me ajudar, mas o que fizeram foi, na vredade, tentar me 'tirar de circulação' e me colocaram em contato com a assessora do Ministério da Saúde no Rio, com quem eu já havia falado antes de sair da redação e apurado detalhes sobre o estado de saúde da vítima.
Percebi que os parentes procurados já não estavam mais no hospital e fui embora, dar continuidade à reportagem. Percebi claramente que há uma determinação da direção do hospital, que é FEDERAL, para que evite a circulação de jornalistas em qualquer área da unidade. A eficiência em me conter impressionou até mesmo alguns funcionários. Meio sem graça, a assessora tentou explicar a 'blindagem', mas não há motivo para qualquer cidadão pedir autorização para ficar no pátio de um hospital que é público.

O problema ocorre também em hospitais da prefeitura, onde jornalistas não podem passar pela grade que separa a unidade da rua sem autorização, um grande absurdo. Quer dizer então que, se eu passar mal, não posso ser atendido porque sou repórter??? O medo dos órgãos públicos tem lá os seus motivos... Afinal, quem não deve não teme.

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