segunda-feira, 8 de março de 2010

Os altos e baixos da transferência de presos do Rio para presídio federal em Mossoró (RN)

A secretaria de Segurança do Rio mais uma vez fez uso da transferência de presos como forma de dar à sociedade uma resposta pela violência. Desta vez, foram 11 presos (10 d0 CV e 1 da ADA) levados para um presídio federal de segurança máxima, em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Mandou mal
O maior exemplo de tentativa de 'resposta' está na transferência de Ederson José Gonçalves Leite, o Sam, chefe do tráfico na Cidade de Deus, onde semana passada 13 pessoas ficaram feridas no ataque a um ônibus da linha 701. Embora Sam (preso há sete anos) continuasse a dar as ordens na CDD, sabe-se que não partiu dele a ordem para o ataque, até porque o tal Leandro, que foi preso, não é ninguém na hierarquia do tráfico para provocar uma reação tão violenta.

Outro bandido que é considerado 'fraco' dentro da cadeia (embora ainda tenha prestígio) é Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá. O criminoso que controlava o tráfico das favelas dominadas pela ADA no Complexo da Maré, perdeu todos os territórios para Facão e Matemático, do TCP. Atualmente, apenas Parque União e Nova Holanda são controladas pelo CV na Maré. As demais são todas do TCP. A ADA não controla mais nada por lá.

Mandou bem
A secretaria, no entanto, mandou bem pela transferência de Patrick Salgado Souza Martins, o Patrick do Vidigal, que mesmo de dentro da cadeia articulava uma retomada das bocas-de-fumo do Vidigal. O bandido é tão violento que até moradores da favela temem pelo retorno do traficante. Desde 2008, Patrick tenta recursos na Justiça para ganhar a liberdade, como progressão de regime, mas ainda não teve sucesso.

Outros presos cuja transferência foi uma boa para o Rio são os irmãos Luiz Carlos Gomes Jardim, o Luiz Queimado e Luiz Paulo Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, que articulam invasões em favelas de Niterói e São Gonçalo, áreas que têm sido cada vez mais alvo de disputas de traficantes, sobretudo após instalações de UPPs em comunidade cariocas. Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, também é influente dentro da cadeia e participa efetivamente das decisões da facção.

Faltou Willian Robocop
Os outros presos transferidos são Márcio Gomes de Medeiros Roque, o Marcinho do Turano; Juliano Gonçalves de Oliveira, o Juca; José Benemário de Araújo, o Benemário; Tiago Rangel da Fonseca, o TH; e Bruno Coutinho, o Brunaldo. Entre os transferidos, são os menos influentes.

Um preso que poderia ter sido transferido, mas continua no Rio é Willian Rodrigues Vieira, o Willian Robocop, que, por pelo menos 10 anos, controlou o tráfico de drogas no Morro do Borel, na Tijuca. Como o Borel deve ser o próximo morro a receber uma UPP, seria importante mantê-lo longe do Rio para diminuir seu poder de articulação com os traficantes que ainda estão por lá.

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