segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Faltou espírito jornalístico...

Mais um caso de descaso na área de Saúde. Um menino que teve um dos braços quebrados percorreu alguns hospitais até conseguir atendimento. É um caso como muitos outros, mas a família decidiu ligar para a imprensa.

Na redação de O Dia, um repórter perguntou se os pais tinham condições de fazer uma fotografia do menino e enviar por e-mail. Com a democratização das câmeras digitais e das lan houses, não seria uma tarefa tão difícil assim.

Conforme combinado, as fotos foram feitas e enviadas. O problema é que numa delas, o menino com o braço quebrado e devidamente engessado faz pose em cima de uma motocicleta, numa situação clara de risco para a criança e imprudência dos pais.

Na segunda imagem, o menino aparece sorridente e fazendo sinal de positivo com o polegar, em vez de estar triste por ter quebrado o braço e não ter conseguido atendimento médico com rapidez.

Aí fica difícil...

4 comentários:

  1. Bernard Mandeville2 de novembro de 2009 18:20

    É, de fato faltou um "curso de edição de imagens", com ênfase no sensasionalismo, para os pais da criança. Talvez o O Dia possa oferecer esse curso, já que aceita fotos dos seus leitores.

    Assim dará para vender mais jornal com manchetes velhas ("caos na saúde", "descaso com criança", "negligência em hospital público"), sem se abrir espaço para discutir AS CAUSAS do atendimento precário, os CUSTOS do sistema público, a ESTRUTURAÇÃO da rede de atendimento, etc.
    Fica claro que não se objetiva a busca de soluções para o problema (informar BEM serviria para isso, identificar causas), mas permanecer no sensasionalismo e no discurso vazio que culpa os governantes, esquecendo-se que numa DEMOCRACIA o governo É O POVO!

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  2. Bernard Mandeville2 de novembro de 2009 19:29

    Em tempo:
    onde escrevi "sensasionalismo", leia-se: sensacionalismo!!!

    Bernard Mandeville.

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  3. Companheiro, não sei se você acompanha o blog, mas aqui também há espaço para fatos curiosos e para o bom humor.
    E esse post tem exatamente essa proposta. Um leitor que sofreu para conseguir atendimento para o filho, mas que mostra alegria e imprudência em seus registros fotográficos. É uma contradição curiosa e engraçada, apesar da situação caótica do serviço público de modo geral.

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  4. No caso da primeira foto não foi exatamente falta de senso jornalístico, mas de sentido do que é certo e errado mesmo. A família do menino sabe que é errado não receber atendimento de saúde, mas não tem a menor ideia de que também é errado uma criança andar de moto.
    Daniel

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