terça-feira, 27 de outubro de 2009

O que não pode faltar numa reportagem sobre operação policial em favelas do Rio

Outro dia surgiu aqui no blog uma discussão sobre as matérias de operações policiais em favelas do Rio. Alguns colegas defendem a idéia de acompanhar a polícia integralmente durante as suas incursões, enquanto outros se mostram veementemente contra essa prática. Com uma coisa eu preciso concordar: as coberturas desse tipo de matéria são sempre muito parecidas, praticamente iguais.

Depois de alguns anos na cobertura desse tipo de reportagem policial, separei algumas informações que não podem faltar em uma matéria sobre operação policial em favelas.

1- Quantidade de policiais envolvidos. Geralmente é citada para dar a dimensão da ação policial. Quando conta com a participação de poucos, só é informada quando o resultado é muito satisfatório. O apoio de caveirões e de helicópteros é coisa certa.

2- Batalhões e Delegacias. Para o público em geral pouco importa qual o batalhão ou a delegacia que participaram da operação. Tudo é polícia. Mas alguns colegas citam todas as unidades envolvidas, inclusive com o nome de grandes especializadas como a Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Saúde Pública (DCCSP). E lá se foi um parágrafo...

3- Objetivo da operação. Isso também é importante, embora quase sempre a polícia limite-se a dizer que é o combate ao tráfico de drogas ou apreender armas e drogas. Cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão também são comuns.

4- Tiroteios. A intensidade dos tiroteios também é algo certo nas reportagens. Até quando tempo durou alguns colegas colocam no texto. O calibre das armas e se houve explosão de granadas figuram nas matérias.

5- Correria e clima de pânico. Estão sempre ao pé do primeiro parágrafo. Pessoas se escondendo embaixo dos carros e comércio fechado.

6- Saldo da ação: quantidade de mortos, feridos, armas e drogas apreendidas.

7- Duas coisas que ultimamente vem tendo mais destaque do que o balanço das operações: números e alunos que ficaram sem aula por causa do tiroteio e interrupção das obras do PAC em algumas comunidades. Interdição do trânsito também é citada pelo pessoal de TV.
8- Protesto. Sempre que um inocente é baleado ou morto, moradores acusam a polícia e fazem uma manifestação com cartazes, queimam pneus e fecham vias importantes. Muitas vezes, só há mulheres e crianças nesses manifestos e sabe-se que são situações orquestradas pelo tráfico. Nem sempre, é claro.

Atento a essas informações, sua reportagem está praticamente pronta. Informações que chegam até os jornalistas, mas que não há como comprovar, morrem nas conversas entre colegas ou então são divulgadas em blogs, como o 'Temos Isso?'.

4 comentários:

  1. faltou : o delegado ou a adelegacia que chefiam a operação. E o nome do lídero do tráfico na favela tal....kkkkkk. de resto está maravilhoso.

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  2. é sempre tudo a mesma coisa todos os dias, por isso, não acho que vale a pena correr o risco de se tomar um tiro de fuzil para voltar para a redação e escrever sempre a mesma coisa. portanto, para escrever texto telegráfico, é melhor ficar na redação

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  3. Só tenho uma dúvida porque nas operações do BOPE, esses polícias fazem posse??? São eles que fazem de proposito ou vocês que pedem para a foto ficar boa para a primeira página. Mais ou menos como acontece no filme do Homem aranha, onde o reporter Peter packer, vende as fotos do heroi, rsrsrsrs

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  4. E uma boa foto do Severino para chamar na Primeira!

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