sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Limitado a quatro favelas, RJ Comunidade faz matéria sobre cocô de cachorro

E já que eu falei em Dona Marta, o que é a cobertura do RJ TV, da Rede Globo, nas comunidades do Rio? A idéia é ótima, mas a execução do RJ Comunidade certamente não tem saído como o esperado.

Os colegas pretendiam percorrer as principais favelas do Rio, mostrar seus problemas e cobrar soluções. O verdadeiro problema é que a emissora só conseguiu realizar o trabalho em quatro (cinco) comunidades: Cidade de Deus, em Jacarepaguá; Batan, em Realengo; Chapéu-Mangueira (e Babilônia), no Leme; e no próprio Dona Marta, em Botafogo, que eles insistem em chamar de Santa Marta.

O Rio tem mais de mil favelas e nenhuma da Zona Norte, por exemplo, está entre as visitadas. A equipe passaria uma semana em cada favela e conseguiria, assim, abordar todas as pautas possíveis e partiriam para outra comunidade. Seria o ideal. Mas as comunidades visitadas pela emissora são apenas aquelas onde a PM instalou a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Tráfico demonstra seu poder
Fica evidente que o tráfico não permitiu a circulação da equipe de reportagem na grande maioria das comunidades. Os colegas tiveram então que passar semanas na mesma comunidade e as pautas simplesmente se esgotaram. A jovem Ana Paula Santos, que tem segurado bem o pepino, chegou ao ponto de fazer matérias sobre cocô de cachorro nas ruas do Dona Marta.

Em plena hora do almoço tive que ver closes e mais closes de merda de cachorro! Ainda bem que o controle remoto estava perto...

4 comentários:

  1. Caro Marcelo, não se trata de um impedimento de traficantes ao trabalho da TV Globo, mas de uma política adotada pela empresa de não entar em comunidades dominadas por bandidos armados, diferentemente de outros veículos.

    Após a perda do grande jornalista Tim Lopes, a máxima da casa é que nenhuma notícia vale a vida de um funcionário.

    Infelizmente é uma limitação que prejudica a forma como a cidade retatada nos jornais a casa, já que não são mostrados locais onde vivem centenas de milhares de cariocas, mas acho mais humano do que veículos que mandam equipes subirem em favelas durante troca de tiros pra não "perder a imagem". Já vi repórter de outrs veículos chorando durante ação da pm nestes locais, mas obedecendo a chefia pq não podia perder o emprego...

    ResponderExcluir
  2. Agradeço pelo esclarecimento, mas se esse é o posicionamento da empresa, não faz sentido alguma haver o RJ Comunidade, uma vez que ele só entre em quatro favelas.

    Concordo que notícia alguma vale a vida de qualquer pessoa, mas essa proposta de ir até as comunidades fica muito comprometida desse jeito. Passar um mês numa comunidade é cansativo demais para quem assiste. E depois de passar pelas outras três, retornar à primeira, pior ainda...

    ResponderExcluir
  3. é, parece que repórter da Globo não entra em favela que tem tráfico para cobrir o dia-a-dia dos moradores ou guerras contra polícia e facções.
    Repórter da Globo só entra em favela que tem tráfico para comprar sua droguinha mesmo...

    ResponderExcluir
  4. Porque voce acha que todas as pessoas que trabalham na TV Globo ou em qualquer outra emissora consomem drogas??

    Cuidado com que voce escreve ou fala! O assunto abordado aqui é sobre as matérias do RJ Comunidade, e não sobre o consumo de drogas.

    ResponderExcluir