segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A organização do CV dentro das cadeias

Entre as facções criminosas do Rio, o Comando Vermelho é a que mantém a estrutura mais organizada. E o maior exemplo vem dos presídios do estado. As regras para apenados do CV são tão rígidas que muitos pedem 'seguro' por não suportar a doutrina.

Em cada unidade prisional que tenha presos desta facção, um interno é eleito 'Presidente de Comissão'. Ele passa a ser o elo entre aquela unidade e a cúpula do CV, que é quem o escolhe. O critério para a eleição do presidente nada tem a ver com o poder do criminoso do lado de fora das grades. Geralmente, é o cara mais articulado dentro da unidade, que tem bom trânsito com agentes penitenciários e se comporta bem.

Quando a cúpula da facção quer passar alguma ordem ou precisa receber informações, o presidente de comissão é acionado via visitantes ou advogados. Abaixo dele, são escolhidos os chamados 'frentes'. Há o frente de cela, de pavilhão e de galeria, que falam por seus respectivos espaços e se reportam sempre ao homem da comissão.

Há poucos anos, no Vicente Piragibe, Marcelo da Padaria era o presidente de comissão. Ele odiava sujeira e chegou a espancar um preso por ter jogado lixo no lugar errado. Marcelo, que ganhou o apelido por ser padeiro, não era conceituado na rua, mas tinha o respeito dos demais atrás das grades.

Entre as regras de conduta do CV dentro das cadeias estão:
- Não tirar a camisa no dia de visitas. Se um preso passar sem camisa perto da visitante de algum outro preso, comete falta grave e pode até ser morto por espancamento. Para eles, é um desrespeito, o que não é tolerado.
- Até pouco tempo atrás, era proibido usar roupas da marca Adidas, já que as três listras representam para eles um símbolo do rival TCP, cujos presos usam roupas dessa marca.
- Os chamados 'macumbeiros' não são bem vindos. Ao contrário, os evangélicos são muito respeitados.

Outro ponto interessante:
- Quando um preso quer ir até a administração fazer alguma reclamação ou solicitação, geralmente quanto ao tempo de pena, progressão de regime, entre outras coisas, ele nunca vai sozinho. Com medo de que o interno dê uma de X-9, é obrigatório que um outro preso o acompanhe para verificar o teor da conversa.

6 comentários:

  1. Bom, se eu fosse vagabundo jamais seria eleito ao cargo, vista minha opção religiosa. eheeh

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  3. E esqueceu da falar da mulheres que vão ao presídio para arrumar marido, rsrsrs. Têm mulher que só gosta de presidiário e o fim do mundo!!!

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  4. Tudo isso é muito bem visto por quem está de fora da realidade do sistema penitenciário. Históricamente, é fato, que todo poder absoluto exercido por determinado grupo ditatorial possui o objetivo único de mantê-los no poder. Pergunto: Quem deveria ter o monopólio da administração? o preso ou a administração penitenciária? Regras devem existir em qualquer ambiente social, mas, quem é beneficiado por tais regras?
    Esta situação existe em função da omissão do Estado (Administração Penitenciária do Rio de Janeiro), que delega responsabilidade para presos, sem que com isso, a possível ressocialização seja alcançada. Ao contrário, o detento é socializado ao regime social da facção criminosa que lhe doutrina. Pense nisso, autoridades do Estado de Direito.

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  5. Organizar-se para não enlouquecer, é claro. As penitenciárias são o inferno na terra, já dizia Graciliano Ramos na década de 30 sobre o presídio de Ilha Grande - onde surgiu o CV -"Fato que nos deixam aqui para morrer".

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  6. Camila, não sou dono da verdade, nem o crítico do mundo. Contudo, atualmente, nas cadeias do Rio de Janeiro existem indivíduos que estão longe de morrer. Considere que o preso têm direito a CINCO refeições; atendimento médico, odontológico, jurídico, psicológico, assistente social, educacional, biblioteca (curso de informática, em algumas unidades), visita periódica de familiares, visita íntima, trabalho (remição), etc.(mais benefícios que qualquer estudante de colégio público). Concordo que o presidiário tenha tantos quantos direitos possíveis, desde que saia ressocilizado da cadeia, pois esse é o objetivo constitucional da pena. Porém, nunca vou concordar que, após todo esse investimento público consumido, o preso seja tratado como vítima da sociedade, utilize a prisão para incrementar seus "negócios", saia da cadeia e continue praticando crimes em nome de uma ideologia criminosa chamada comando vermelho.
    Infelizmente, tudo isso ocorre por omissão de políticas de segurança e justiça criminal eficazes.

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