quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Aprenda a fazer uma 'suíte' mesmo quando não há qualquer informação que a justifique

Sabe quando o dia está fraco de notícias importantes e acaba sobrando pra você fazer 'suíte' de uma reportagem que já não foi lá grande coisa? Pois é, isso acontece com muita freqüência e, na maioria das vezes, dar continuidade a uma matéria fraca é como tirar leite de pedra. Na condição de repórter que cobre violência, enumerei umas dicas pra você, coleguinha, não passar sufoco quando o seu editor ficar cobrando o retorno.

1- A polícia investiga. É uma coisa óbvia, a polícia está aqui ou acolá para isso mesmo, mas é muito comum uma matéria começar assim quando não há qualquer novidade no crime a ser elucidado. "A polícia investiga a morte do empresário fulano de tal, morto esta semana.... e por aí vai".

2- Na maior parte dos casos, as testemunhas demoram a prestar depoimento formal. Outra coisa a dizer quando não há o que ser dito é: a polícia deve começar hoje a tomar os depoimentos das testemunhas. Devem ser intimados fulano e beltrano.

3- Nada de atrapalhar as investigações. Quando um delegado não tem nada de novo a dizer ou não está querendo soltar nada, é certo ele dizer: "já temos algumas informações, mas não podemos revelar para não atrapalhar as investigações".

4- Linhas de investigação. Mais uma vez, quando não há pista sobre o ocorrido, você apela para a sua desconfiança e os policiais costumam aceitar e te dar o lide. "Doutor, você acredita em crime passional?" "É uma hipótese que estamos investigando", dizem eles. "Doutor, mas esse caso parece ter sido assalto ou execução?" "Estamos investigando as duas hipóteses, nada pode ser descartado nesse momento", é o que dizem quase sempre.

5- Sempre tem o circuito de câmeras, mesmo que nada tenham filmado. Essa é a mais recente e sempre rende umas linhas a mais para a sua nota. "A polícia informou que vai requisitar as imagens do circuito de câmeras do prédio ao lado para verificar se a ação dos bandidos foi gravada".

6- Não poderia faltar o retrato-falado. Sempre rende mais uma linha, tanto pra dizer que as vítimas irão confeccioná-lo ou para alegar que elas não têm condições de fazê-lo.

7- E tem a perícia, claro. Essa é a mais clássica: a espera pelo resultado da perícia, seja ela de local, balística, papiloscópica e por aí vai.

Acho que com essas sete dicas você já pode bater um retorno para o seu chefe dizendo que não há qualquer informação relevante que justifique a tal 'suíte'.

5 comentários:

  1. Genial!!!!!!!
    Eu acrescentaria ainda: "Há participação de policiais?" ou "O corpo pode ser exumado?"

    ahahahaha

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  2. Sensacional!!! Leitura obrigatória pros "repórti" de "puliça" ;)

    Adorei!!!
    hahahahahh

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  3. Sou seu fã!!!!!!!!!

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  4. tem que imprimir isso e passar para os brilhantes editores e chefes de reportagens que temos por aqui

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