quarta-feira, 1 de julho de 2009

Repórteres deixam delegado falando (quase) sozinho

Os plantões em porta de delegacias são rotina na vida dos repórteres. E no caso da morte da menina Sophie Zanger, de apenas 4 anos, não foi diferente. E não é pra menos: a criança morreu enquanto tomava banho dentro de casa, de traumatimo craniano. Uma tia e uma prima, responsáveis pela criança, acabaram indiciadas por maus tratos com decorrência de morte.

Mas antes que o inquérito fosse concluído e as investigações, assim como o trabalho dos jornalistas, haviam acabado de começar, uma cena inusitada aconteceu na 36ª DP (Santa Cruz). Nesse tipo de plantão, tem-se em média 20 minutos de informação para cada 4h, 5h de chá de cadeira. Irritados pela falta de informações, pelo cansaço e pela falta de uma padaria descente próximo à delegacia, fomos nós perturbar o delegado. Queríamos que ele falasse alguma coisa, nem que não falasse nada, mas já era um posicionamento para a chefia, que também pressiona.

Pronto! O circo estava armado. Fotógrafos e cinegrafistas posicionados na sala do delegado, microfones à mesa e o Dr. Agnaldo visivelmente pouco à vontade para falar, visto que a escassez de informações até aquele momento era evidente. A entrevista havia começado, interrompida várias vezes por toques de celular e chamadas do tipo 'fulano na escuta?'.

De repente, chegam à delegacia as pessoas mais esperadas daquela tarde pra noite. O pai de Sophie, o austríaco, como era chamado por nós, e o filho, principal testemunha do caso. Numa fração de segundos, cinegrafistas, fotógrafos e repórteres desapareceram da sala do delegado, no meio de uma entrevista que nada rendia. Todos desceram as escadas como uma manada para conseguir imagens e uma entrevista com o gringo, ignorando a autoridade policial sem ao menos pedir licença. A cena da galera desarmando tripé e saído correndo até que foi engraçada. Gente boa, o Dr. Agnaldo só não ficou falando sozinho porque duas coleguinhas ainda fizeram perguntas e mantiveram seus gravadores ligados... menos mal.

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