terça-feira, 2 de junho de 2009

Os clichês da imprensa na cobertura dos desastres aéreos

Sempre que os desastres aéreos infelizmente acontecem, lá vem a imprensa com os seus clichês. não precisa ser editor ou chefe de reportagem para saber o que nos espera na hora da cobertura. Veja alguns pontos do nosso trabalho, que parece sempre a mesmo, com mudanças apenas dos nomes e locais da tragédia.

Quase vítimas - É sempre a mesma coisa. Temos que achar alguém que, por algum motivo, não embarcou no voo da morte. Personagens desse tipo ganham destaque nas matérias, seja por desistência ou qualquer outra causa, motivo, razão ou circunstância.

Presidente da República - É sempre precisou ouvir o presidente para que ele mande uma mensagem de solidariedade, embora isso não mude em nada a realidade dos fatos, como o desespero das famílias e os procedimentos de investigação. Entra aqui, governador e prefeito.

Fotos das vítimas - Essa é uma mania dos jornais mais populares. Repórteres acessam sites como orkut atrás de fotos das reproduções de imagens das vítimas. Erros motivados por homônimos já aconteceram, o que é péssimo para nós.

Especialistas - O item mais chato da nossa pauta. São pessoas com cargos que ninguém compreende, como especialista em análise de risco (?). No caso desse avião da Air France então é ridículo, porque o noticiário é baseado em conjecturas, uma vez que nada se sabe ainda sobre o que aconteceu. O mais engraçado é que as chefias querem alguém que tenha credibilidade, mas que fale sobre a possibilidade mais trágica.

Falta de informações - Outra obrigação para as equipes de reportagem é fazer os parentes e amigos das vítimas reclamando da falta de informações. Esta, aliás, acomete muitas vezes não só os familiares, como também a própria companhia aérea. Confusão nos guichês dos aeroportos é imagem recorrente.

Identificação - A busca pelo furo de reportagem, faz com que muitos divulguem os nomes das vítimas antes mesmo de a lista oficial ser apresentada, o que pode ser uma irresponsabilidade.

Desespero - parentes de vítimas chorando, desesperados, revoltados também fazem parte da cobertura e rendem as melhores imagens, jornalisticamente falando, é claro. Sou humano e lamento profundamente toda e qualquer tragédia. Mesmo sabendo que muitas pessoas estão em estado de choque, é preciso insistir e conseguir uma entrevista.

Memória - é preciso relembrar outros acidentes, o que se pede para o setor de pesquisa das redações.

Além disso, é necessário também:

1- Acompanhar as buscas pelos destroços, corpos e ficar ligado na identificação dos mesmos.

2- Cobrar a lista oficial das vítimas.

3- Ficar em cima das autoridades responsáveis pelas investigações.

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