domingo, 3 de maio de 2009

Os Crimes da 'Liga da Justiça', segundo a Justiça

A milícia Liga da Justiça, atualmente comandada pelo ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, começou a ser investigada pela polícia efetivamente a partir de 2005, apuração essa que resultou no processo 2009.205.001646-0, que tramita na 1ª Vara Criminal de Campo Grande. Segundo os autos, o grupo passou a agir nos bairros de Campo Grande, Guaratiba, Paciência, Cosmos, Santa Cruz e passou a exigir de moradores e comerciantes o pagamento regular de contribuições em dinheiro, a pretexto de protegê-los da ação de criminosos que atuam na região.

Para garantir o recebimento do dinheiro, a milícia passou a constranger suas vítimas, com emprego de violência ou grave ameaça, exercida com emprego de armas de fogo, agindo de igual modo em relação a motoristas e cooperativados do transporte alternativo de passageiros (vans), dos quais também exigem contribuições em dinheiro (diárias), para que lhes seja permitido trabalhar nos locais dominados pela quadrilha. Aqueles que não cumprem a determinação do grupo ou que noticiam sus atividades às autoridades públicas sofrem represálias. No inquérito nº 028/2006 que deu origem aos autos, há informações de desaparecimentos e de homicídios, consumados e tentados.

Além disso, com o propósito de demonstrar autoridade e poder, buscando legitimar-se junto à população das áreas onde atua, a quadrilha também age contra alguns delinqüentes (traficantes de drogas), que são seqüestrados e jamais retornam à localidade.

Crimes citados
O inquérito cita alguns crimes praticados pelo bando. Um deles ocorreu em 8 de junho de 2005. Um motorista de Kombi do transporte alternativo que havia denunciado a atuação do grupo foi perseguido pela estrada do Mendanha, em Campo Grande, por um veículo Corsa, cujos ocupantes fizeram vários disparos. O motorista tentou sair do veículo mas levou vários tiros. Mesmo assim, conseguiu fugir mas está desaparecido desde agosto de 2006.

Uma outra tentativa de homicídio praticada pela Liga da Justiça ocorreu uma semana depois. Integrantes do bando foram até Guaratiba para matar um homem que também os denunciara. Apesar de vários disparos terem sido feitos, a vítima conseguiu fugir.

Um terceiro crime está relatado. Ocorreu no dia 19 de julho do mesmo ano. Um proprietário de duas vans foi ameaçado de morte por membros da milícia no Terminal Rodoviário de Campo Grande. Ele denunciou o fato à polícia e, dois meses depois, acabou assassinado em um posto de gasolina na estrada do Cabuçu.

No dia 05 de fevereiro de 2007, em Paciência, a Liga da Justiça teria seqüestrado dois adolescentes, espancando-o barbaramente. Desde aquela data não há qualquer notícia acerca do paradeiro das vítimas.

No dia 14 de abril do mesmo ano, cerca de vinte homens da Liga da Justiça armados com fuzis e pistolas, dirigiram-se à filial da cooperativa Rio da Prata, em Santa Cruz e fizeram uma ameaça ao administrador da cooperativa: "meu irmão, avisa ao amigo lá em Bangu, que daqui pra frente, Campo Grande, Santa Cruz, Sepetiba e Itaguaí é tudo nosso! Manda avisar ao amigo de Bangu para aceitar, pois perdeu".

Outras áreas de atuação
O inquérito também informa que a Liga da Justiça também atua no ramo de gás, ocupação de terrenos e no desvio de sinais de TV à cabo e que se utiliza do símbolo do Batman e que o mesmo está pintado em residências ou muros de comércio como forma de confimar o domínio do grupo na região. Há informações de que um advogado, que teria sido contra a ocupação de um terreno pela milícia, teria sido ameaçado e está hoje no Programa de Proteção à Testemunha.

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