sábado, 2 de maio de 2009

Milícias matam 'cobradores' e incendeiam vans

Por Marcelo Bastos
A guerra entre as duas principais milícias que atuam nos bairros de Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, está mais quente do que nunca. Esta semana, pelo menos 12 homens fortemente armados atearam fogo a três vans que fazem lotada em Campo Grande (foto). Antes de fugir, um recado: "Vocês não vão precisar pagar mais nada para o Batman!!!". A versão das testemunhas faz a polícia acreditar que o crime tenha sido cometido pelo grupo liderado por Chico Bala, que agora se diz Chico dos Transportes, depois que assumiu a subsecretaria de Transportes de São Pedro da Aldeia.

Independentemente de que bando tenha promovido o ataque, fato é que incendiar kombis e vans do grupo rival tornou-se uma estratégia dos milicianos. E o pior: eles também passaram a matar o responsavel pela cobrança das diárias para a milícia. A diária de cada motorista do transporte alternativo da área custa entre R$ 30 e R$ 70. Há motoristas que, apavorados, paga duas vezes a diária, uma para cada facção, de acordo com as investigações. A intenção dos milicianos é que a quadrilha rival perca o 'braço' que recolhe o dinheiro. Com as mortes dos conbradores, quem vai querer assumir essa função?

Pelo menos 60 mortes só este ano
Batman já se antecipou e posicionou homens de sua confiança em pontos de cobrança, para fazer a segurança de seus cobradores. As cobranças também passaram a ser feitas em pontos itinerantes, não mais em lugar fixo, o que facilitava a ação dos assassinos. Só este ano, foram aproximadamente 100 homicídios na área da 35ª DP. Desse total, pelo menos 60 têm ligação com a disputa entre milícias. A última aconteceu na quarta-feira, por volta das 15h30. Quatro homens armados desceram de um carro, caminharam tranqüilamente até a vítima e a executaram, em plena luz do dia e no Centro de Campo Grande, região de grande movimento. Apesar de o novo chefe de Polícia Civil ter afirmado que vai intensificar o combate a esses grupos, os paramilitares ainda parecem manter a certeza da impunidade.

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