sexta-feira, 29 de maio de 2009

Bons resultados da polícia contrastam com 'pequenas' ilegalidades

Por Marcelo Bastos

As prisões do traficante Tola e do miliciano Batman aconteceram pouco depois da posse do delegado Allan Tornowski na chefia de Polícia Civil. Diante das prisões de outros milicianos e dos 18 presos ontem, acusados de integrar o maior grupo de paramilitares do estado, é preciso reconhecer o bom trabalho feito por este policial até aqui.

Com a fama de ser um delegado 'operacional', pergunto-me, no entanto, se não há um equívoco nessa postura. Constitucionalmente, a Civil é um polícia judiciária e, portanto, tem o dever de investigar. Claro, eu sei que muitos vão alegar que as operações são resultados de investigações e que os agentes cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão.

Sei disso, mas também sei que não é bem assim. Muitas operações acontecem com o único objetivo de checar informações obtidas por meio de denúncias ou de escutas telefônicas. Eu acho ótimo que as polícias trabalhem, seja civil ou militar, mas o caráter 'operacional' tem muito mais relação com a PM, responsável pelo policiamento ostensivo.

Remoção de cadáveres
Outra coisa que incomoda é o mal hábito que as polícias têm de não preservar os locais de crime. A cena mais comum durante as operações é formada por policiais carregando corpos, conforme foto de operação no conjunto Fumacê, na Zona Oeste. O papo é sempre o mesmo: estão socorrendo as vítimas. Sabe-se, entretanto, que a grande maioria das pessoas socorridas estão, na verdade, mortas. Os seus corpos deveriam permanecer no local onde morreram até a chegada da perícia. Afinal de contas, desfazer local de crime, também é crime. Policiais são trabalham no Corpo de Bombeiros e não circulam de rabecão para sair removendo cadáveres.

As grandes operações são importantes, mas sinceramente, doutor Allan, seria bom que a polícia olhasse para as 'pequenas' coisas do dia-a-dia, que fazem parte do trabalho de vocês. Sei que também há a justificativa de que os corpos são removidos porque estão em área de risco, geralmente no interior de morros e favelas da cidade. Assa versão pode até explicar, mas não justifica a ilegalidade.

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