sábado, 2 de maio de 2009

Além da falta de testemunhas, milicianos contam com omissão da PM e da DH-Oeste

Por Marcelo Bastos

Para combater as milícias que atuam principalmente na Zona Oeste do Rio, a polícia enfrenta alguns problemas graves. O principal deles é o envolvimento dos próprios policiais com o crime. Algumas outras situações também contribuem para que o enfrentamento aos grupos paramilitares seja insuficiente e a sociedade sinta que a polícia, a exemplo do que faz com o tráfico de drogas, se limite a 'enxugar gelo'. Veja só:

1- A falta de testemunhas. Policiais da 35ª DP (Campo Grande) estão tendo dificuldades em solucionar crimes relacionados à milícia porque ninguém tem coragem de prestar depoimento, sejam vítimas ou testemunhas. Assim, sem uma prova importantíssima, a testemunhal, a polícia precisa investir no trabalho de perícia, mas leva muito mais tempo. A situação se agravou quando o Fórum de Campo Grande foi transferido para o Centro do Rio. "Se até a juiz tem medo, por que é que eu não vou ter?", questionam as pessoas que são chamadas na delegacia...

2- Onde está a PM? Por maior que seja a circunscrição do Regimento de Cavalaria Coronel Eny Cony dos Santos (RCCECS), antigo Regimento de Polícia Montada (RPMont), e o efetivo seja insuficiente, a polícia militar nunca está presente ou sequer próxima quando ocorrem homicídios. Digo isso porque grande parte desses crimes acontecem em plena luz do dia e em locais de grande circulação de pessoas, como a rodoviária de Campo Grande. Soube até que um dos crimes ocorreu próximo a uma cabine da PM, mas não havia policiais nela. Outro aconteceu num ponto em que há sempre a presença de um PM no controle do trânsito, mas no momento do crime, ele estranhamente não estava no local. Por falta de produtividade, o comandante da unidade foi trocado recentemente.

3- O que faz a DH-Oeste? A Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste) é uma unidade com a missão exclusiva de investigar homicídios, o que seu próprio nome informa. Fato é que diante de aproximadamente 100 homicídios ocorrido na área de Campo Grande, apenas este ano, a especializada pegou o primeiro caso já em março deste ano. Um crime que a delegacia assumiu a investigação no terceiro mês do ano, teve o R.O. (Registro de Ocorrência) número 001, um absurdo! Isso sem contar os assassinatos de Santa Cruz, Guaratiba, entre outras regiões da Zona Oeste, o que mostra total inoperância da unidade.

4- Área de atuação dos milicianos. Como os grupos liderados por Batman e Chico Bala (isso para não citar outros de menor expressão) atuam em Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba, fica difícil para a 35ª DP (Campo Grande) fazer tudo sozinha. É preciso o apoio das outras unidades e um trabalho conjunto. A 43ª DP (Guaratiba), por exemplo, é por demais ineficiente. O que faz essa delegacia? Procure nos jornais, por exemplo, e veja o que já foi feito contra as milícias da região. E há informações de que os milicianos da Zona Oeste estão expandido domínios para a Baixada Fluminense. Olha aí o tamanho do problema...

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