segunda-feira, 6 de abril de 2009

Spargoli estava reformado e sem farda, mas reagiu ao assalto...

Por Marcelo Bastos

Estava tudo calmo na redação até que, por volta das 8h30, uma colega sai apressada e avisa: "mataram o coronel Spargoli. Lá em Niterói". Começo a telefonar para algumas fontes e a informação vai chegando. Um oficial muito amigo de Francisco Spargoli Rocha, de 61 anos (foto), foi pego de surpresa pela notícia. "Pô, rapaz, não me dá uma notícia dessas. Esse cara é meu aimgo. Eu estou no médico... deixa eu ver essa história", disse ainda incrédulo.

E era mesmo verdade: O coronel da Polícia Militar foi morto durante tentativa de assalto a uma casa lotérica na Zona Norte de Niterói. Spargoli estava numa banca de jornais pela manhã quando percebeu um bandido rendendo o proprietário da lotérica. Apesar de reformado e à paisana, o coronel que estava armado partiu para cima do assaltante, mas foi morto por um tiro na nuca, disparado por um comparsa que chegou por trás. Spargoli morreu 100 metros à frente de onde foi baleado. Ele teria conseguido acertar um dos bandidos, que também morreu.
Exonerado após denúncias contra a Seap

Exonerado após denúncias contra a Seap
Spargoli prestou serviços durante 17 anos à Secretaria de Administração Penitenciária, de onde foi exonerado em outubro do ano passado, quando ocupava o cargo de subsecretário adjunto de Unidades Prisionais, que os 'desipes' chamam de UP. A saída da Seap se deu no momento em que o coronel criticou a secretaria pela execução do diretor de Bangu 3, tenente-coronel José Roberto Lourenço, em outubro do ano passado. Na ocasião, Spargoli contrariou o secretário César Rubens e garantiu que Lourenço não havia rejeitado escolta policial, que não havia carros blindados na Seap e que Lourenço sequer tinha armas. "Eu mesmo emprestei um rifle para ele. A segurança é zero", disse ele, numa audiência pública na Alerj, dias depois do crime.

O oficial da PM que era conhecido por ser do tipo linha dura, era um dos homens de confiança de Astério Pereira dos Santos, ex-secretário da pasta, mas ainda muito influente por lá. Ele denunciou outros problemas, como falta de efetivo e disse até que Lourenço ia para casa de carona. Após o episódio, o governador Sérgio Cabral determinou que todos os diretores de presídios andassem em veículos blindados e com escolta policial.

Spargoli estava reformado, sem farda e não precisava reagir ao assalto, mas assim o fez. Era um policial...

2 comentários:

  1. Só para constar: o tiro foi no pescoço, não na nuca. O coronel não morreu na hora, mas minutos após a chegada da ambulância.
    Falo isso pq meus pais moram no condomínio e viram Spargoli agonizando na calçada.
    Essa área de Niterói já é conhecida como Faixa de Gaza...

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  2. Obrigado pela correção. Quem passou a informação de tiro na nuca foi a própria polícia. E mais tarde ficamos sabendo que ele chegou a correr uns 100 metros e que teria acertado o bandido que acabou morrendo também.
    Quanto a Niterói, parece que a tal tranqüilidade qua fazia pessoas do Rio migrarem para lá, já não é uma idéia tão boa assim, já que a criminalidade tem marcado presença também na cidade.

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