quarta-feira, 22 de abril de 2009

Quando a gente acha que viu de tudo, aparece uma 'quadrilha' que usa carroças para roubar

Por Marcelo Bastos
Foto Ernesto Carriço

Há aproximadamente sete anos nesse negócio de jornalismo, entre assessoria e jornal impresso, tenho a impressão de já ter visto muito coisa, tipo aquele papo de testemunha ocular da história, saca? Mas a cada dia de trabalho tenho a certeza de que ainda há muito o que ver. Um exemplo do que estou falando aconteceu nesta madrugada, quando saí da redação para fazer a prisão de uma 'quadrilha especializada em roubar quiosques' na orla do Rio.

Era apenas mais uma matéria sem qualquer relevância. Madrugada fraca, todos os coleguinhas correram. Ao chegar na Sernambetida, que agora chamam Lúcio Costa, lá no Recreio, encontro duas viaturas do 31º BPM (Recreio) e duas carroças, onde havia quatro homens, além de geladeira, botijões de gás, cadeiras de praia, chapa de fazer sanduíche, cervejas, rádio, entre outras coisas. Pergunto ao policial, onde estão os bandidos e ele aponta para as charretes. Pergunto então sobre a res furtiva, o produto do roubo no linguajar da corporação, e o PM responde: "em cima da carroça, companheiro"... (foto)

A tal quadrilha especializada era foramda por nada mais, nada menos do que quatro pobres coitados, moradores da Cidade de Deus e de pequenas comunidades vizinhas, como o Karatê. Os produtos seriam vendidos na comunidade da Gardênia Azul. O 'chefe' do grupo, Éder, de 36 anos, estava completamente embriagado e admitiu ser viciado em cachaça, mas não em drogas. Eles usaram uma faca de caça para tentar roubar um segundo quiosque, mas o funcionário fugiu e conseguiu chamar a polícia. Éder era o único com passagem pela polícia pelo crime de roubo.

Carroceiros suspeitos de outros crimes
Segundo a PM, eles são suspeitos de terem furtado outros quiosques da região, bem como canteiros de obras durante as madrugadas. Os criminosos admitiram que estavam ali para fazer um ganho, mas disseram que usam os cavalos para fazer frete na comunidade, além de transportar 'lavagem' (restos de comida que são dados aos porcos) aos criadores da favela. O grupo ainda tentou passar pelos PMs como se nada tivesse acontecendo, mas acabaram presos em flagrante. Os pangarés podem responder por participação e formação de quadrilha e devem cumprir pena no Centro de Controle de Zoonoses, da prefeitura, caso ninguém se responsabilize por eles. Viu só como é dura a vida de repórter?

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