terça-feira, 28 de abril de 2009

'Projeto Primeiro Emprego' do tráfico: negócio que nem a crise financeira foi capaz de quebrar


Por Marcelo Bastos

A crise financeira internacional afetou praticamente todas as economias do mundo e forçou grandes empresas a fecharem fábricas e demitir funcionários aos milhares. Já no Rio, os morros e favelas parecem estar imunes ao fraco desempenho das bolsas de valores e a falta de dinheiro circulando no mercado. Um exemplo do que estou dizendo pode ser visto na foto acima, tirada por Severino Silva, do jornal O Dia, durante uma operação da Polícia Civil nos morros da Pedreira, Lagartixa e Quitanda, que a TV Globo batizou de 'Complexo de Costa Barros'.

O grafite com a imagem de um traficante com a cabeça coberta por uma touca-ninja e uma pistola em cada mão é o retrato de um negócio que nenhuma crise financeira foi capaz de quebrar. Ao lado, a incrição 'Projeto Primeiro Emprego' é ao mesmo tempo um convite e um deboche para um país incapaz de gerar empregos formais e que joga metade da população ativa na informalidade. No tráfico, a carreira é curta e quase ninguém chega a se aposentar, mas para jovens sem qualquer perspectiva não deixa de ser um modo de acesso ao 'mercado de trabalho'. Se for inteligente, o funcionário que começa como soldado pode chegar a gerente em pouco tempo. A área de atuação é pequena, limita-se às circunscrições das favelas dominadas por sua facção, mas o salário está bem acima da média do mercado, dizem.

As prisões e mortes, aumentam, e muito, a rotatividade, mas ainda assim a procura pela oferta de vagas é grande. Eu, por exemplo, nunca vi uma boca de fumo sofrer por falta de funcionários. Diante desta imagem pintada numa parede da favela e da nossa realidade, resta saber: até quando vamos perder jovens para o mercado do tráfico de drogas? Que o projeto 'primeiro emprego' deles é mais eficiente que o nosso, ninguém duvida. Infelizmente...

5 comentários:

  1. MARCELO, ENQUANTO AS ESCOLAS PÚBLICAS FOREM UM LOCAL ONDE AS MÃES LARGAM OS FILHOS PRA PODER SE LIVRAR DELES E AS AUTORIDADES NÃO COLOCAREM CURSOS PROFISSIONALIZANTES PRA JOVENS ISSO NÃO VAI ACABAR. sE O ALUNO TIVESSE UMA BOA MERENDA, ESCOLA PRAZEROSA, ATIVIDADES ESPORTIVAS, LAZER,ETC TERIA COMO DIMINUIR A QUESTÃO DAS NOSSAS CRIANÇAS ALIADAS AO TRÁFICO. QUE TAL O GOVERNO INVESTIR EM MAIS UNIVERSIDADES AO INVÉS DE CONTRATAR MAIS POLICIAIS E CARROS IGUAIS AOS DO IRAQUE.

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  2. PARA A MÃE DE UMA CRIANÇA ALICIADA AO TRÁFICO

    HOJE VI SEU FILHO NUMA PENITENCIÁRIA, ELE É TRISTE, SOZINHO, PERDIDO, ANSIOSO, ESPERANÇOSO, INQUIETO, INFELIZ, MAL TRATADO, HUMILHADO,MAL ALIMENTADO, MAL INFORMADO, MAL VESTIDO, MAL AMADO, INCORAJADO, MAS DENTRE ESSES ADJETIVOS NEGATIVOS EU POSSO TE DIZER QUE TAMBÉM VI SEU FILHO SER GENTIL E SORRIR PARA QUEM CHEGA.
    SEU FILHO ESTÁ A ESPERA DE UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL E ELE QUER MUDAR DE VIDA, ESTÁ ARREPENDIDO MAS O QUE AS AUTORIDADES OFERECEM PRA QUE HAJA ESSA MUDANÇA? o BRASIL TÁ DE BRINCADEIRA,VEJO NO AR QUE A SITUAÇÃO É CAUTELOSA NÃO TEMOS TEMPO A PERDER... SINTO O CHEIRO DE SANGUE NO AR,FUMAÇAS E EXPLOSÕES.É IMPOSSÍVEL MODIFICAR O QUE ESTÁ PROGRAMADO E NINGUÉM FEZ NADA.VEJO QUE JÁ É TARDE. É SÓ AGUARDAR A BOMBA EXPLODIR. O DIA FAVORECE, A TERRA CHORA, O TEMPO PASSA E VAI PARAR E NÃO FIZEMOS NADA PARA IMPEDIR. OUVIREMOS CHORO DE CRIANÇAS, SAUDADES E TUDO POR CAUSA DOS DESVIOS INTERMINÁVEIS DE VERBAS PÚBLICAS.

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  3. Sem dúvida, Soraia. Há muito o que fazer, mas como você mesma disse seria muito importante fazer das nossas escolas um lugar atrativo para os jovens. A família também é fundamental, mas ninguém tem coragem de falar em planejamento familiar ou política de controle de natalidade em áreas muito pobres.

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  4. A crise alimenta o consumo de substâncias, meu caro, principalmente as ilícitas, ajudando o crime a prosperar. Quando foi o auge da máfia nos EUA? Pós-crise de 29, quando havia lei seca.

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  5. vira bandido quem quer, não tem emprego para todos, mas trabalho sim, vira engraxate, vai vender bala no trem, ser pedreiro.

    na favela tem escola, é ruim, de má qualidade, mas tem. mas querem ganhar dinheiro fácil

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