terça-feira, 14 de abril de 2009

Líderes de movimentos sociais na mira das milícias

Além de dominar territórios e controlar os serviços como venda de gás, transporte alternativo e gato net, além de gato de internet, as milícias que atuam no Rio têm um novo modo de atuação: a execução de líderes de movimentos sociais que lutam por moradia. Foi o que afirmou ontem, em audiência pública na Alerj, o titular da Draco-IE (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Orgaizadas e Inquéritos Especiais), delegado Cláudio Ferraz (foto à dir).

"As milícias tomam os assentamentos à força, num golpe de estado. Querem instituir uma política de exceção, em ações de desdobramento na Baixada da atuação da milícia Liga da Justiça, da Zona Oeste. Temos casos de mortes e de pessoas ameaçadas e sob proteção do programa de proteção a testemunhas, vítimas desses grupos", disse.

Segundo a Polícia, só este ano foram 36 mortes e 2 desaparecimentos em assentamentos do estado, que seriam alvo da cobiça dos milicianos. Cláudio Ferraz confirmou ainda que o grupo intitulado Liga da Justiça está expandindo território para a Baixada Fluminense. Um dos alvos seria a comunidade da Chatuba, em Mesquita.

Vítimas recentes
O caso mais recente ocorreu no dia 19 de março, no assentamento Campo Belo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O líder do Movimento de Luta por Moradia, Oséias José de Carvalho, membro da Assembléia Popular do Rio de movimentos sociais foi morto a tiros. Entre os desaparecidos, há o líder comunitário Jorge da Silva, da favela Kelson's, na Zona Norte. "Ele denunciou policiais que foram presos, mas depois liberados. Foi sequestrado e está desaparecido", contou o pesquisador Rafael Dias, da ONG Justiça Global, para ilustrar um aumento de 10% no número de desaparecidos de 2007 para 2008. "Esses dados podem ocultar o verdadeiro número de homicídios no Rio", apontou o pesquisador.

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