quarta-feira, 29 de abril de 2009

Contra a polícia, ascom do tráfico

Por Marcelo Bastos

Dia desses, como de costume, cheguei para trabalhar às 7h e o burburinho de que haveria uma grande operação da Polícia Civil já rolava entre os colegas das redações. A informação de que as delegacias envolvidas na ação seriam as adeptas da tríade tiro, porrada e bomba, as principais especializadas do estado, animou ainda mais aqueles que adoram uma operação para animar as manhãs.

O problema era que ninguém sabia de onde o famoso comboio partiria e nem para onde iria. Os batos davam contas de que seria em alguma das principais comunidades do Rio, como Mangueira, por exemplo, mas nada confirmado ainda. De repente, alguém fala no Complexo do São Carlos, no Estácio e os radinhos dos delegados e agentes pipocam sem parar. Diante da falta de uma confirmação oficial que tranquilizasse todos os repórteres, uma jovem coleguinha de rádio resolve esgotar todas as possibilidades de apuração e solta no mailing: "gente, no São Carlos não é, não. Acabei de ligar para a associação de moradores e não tem movimentação nenhuma por lá".

Depois de informar os bandidos sobre uma operação na favela, via associação de moradores, e conseqüentemente frustrar os objetivos da poliçada, a colega ficou conhecida como ascom (assessoria de comunicação) do tráfico. Acontece.

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