quarta-feira, 15 de abril de 2009

Comendo o rato, pouco importa quem seja o gato

Por Marcelo Bastos

Nesta terça-feira, o coronel Marcus Jardim, comandante do 1º CPA (Comando de Policiamento de Área), tomou uma decisão interessante e, quem sabe até, um importante precedente na Polícia Militar. Ele autorizou o 1º BPM (Estácio) a fazer uma operação nos morros do Cantagalo, em Ipanema, e no Pavão-pavãozinho, em Copacabana, áreas sob a circunscrição do 23º BPM (Leblon) e 19º BPM BPM (Copacabana), respectivamente.

Sabe-se que o estado é dividido em circunscrições e cada batalhão da PM e delegacia da Polícia Civil tem a sua, que costuma ser respeitada com muito rigor, sobretudo pelos militares. Marcus Jardim justificou a autorização: "Há um criminoso que controla o tráfico nas favelas do Fallet e Fogueteiro e que está escondido na Zona Sul. Como o 1º BPM já possui muitas informações sobre ele, é melhor que eles mesmos atuem, do que repassar essas informações a outras unidades".

De fato. Se os criminosos migram para outras favelas, assim como suas armas e drogas, porque a polícia não pode fazer o mesmo em relação a suas áreas de atuação, quando tem informações importantes sobre estes bandidos? Se as informações são consideradas 'de inteligência', por que não as atitudes? A operação terminou com um resultado bem razoável, embora o traficante conhecido como Paulinhozinho não tenha sido localizado: cinco pessoas foram presas (foto acima) e houve apreensão de uma espingarda, três pistolas (das quais uma roubada do policial civil Sandro Luiz Gonzaga, morto em setembro na favela Nova Holanda), além de maconha, cocaína, crack, ecstasy e cheirinho da loló. Uma central clandestina de TV também foi estourada na operação.


A presença de batalhões na área de outros é comum, mas como reforço durante as ações policiais. Raro é ver um único batalhão ultrapassar seus limites sozinho, sem a presença daquele que patrulha a região. Em novembro do ano passado, por exemplo, policiais do 14º BPM (Bangu) apreenderam sozinhos 1 tonelada de maconha (foto à esq) no conjunto amarelinho, em Irajá, área do 9º BPM (Rocha Miranda). Na ocasião, comentou-se que a poliçada do 9º BPM não teria gostado muito da iniciativa, mas o resultado também foi positivo. Para a população, no entanto, não importa quem seja o gato, o importante é comer o rato...

2 comentários:

  1. Há informações, por exemplo, de que, no bairro de Quintino, principalmente na área do Morro do Dezoito, quem está fazendo o policiamento é o 9º Batalhão (Rocha Miranda) só que a área é circunscrição do 3º BPM (Méier).

    ResponderExcluir
  2. E para aquelas bandas, cujo domínio é de milícias, o clima não anda nada bom. Há rivalidade entre Dezoito e Sassu, por exemplo. Talvez o patrulhamento de policiais do outra circunscrição tenha a ver com a possibilidade de corrupção, se que é essa informação procede mesmo.

    ResponderExcluir