segunda-feira, 20 de abril de 2009

Alguém aí acreditou no motivo da saída do 'chefe'?

Por Marcelo Bastos

Sexta-feira à tarde, antes mesmo de chegar à redação, já havia recebido dois telefonemas de amigos querendo confirmar a informação de que Gilberto Ribeiro (foto) já não era mais o chefe de Polícia Civil do Rio. Em seu lugar, assumiu Allan Turnovski, ex-diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), que agora deve passar para as mãos de Rodrigo Oliveira, titular da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais).

Gilberto da Cruz Ribeiro estava à frente a polícia judiciária do estado desde o início do governo Cabral. A escolha foi feita pelo próprio secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que ultimamente não estava tão feliz assim com o 'chefe'. Os motivos verdadeiros desse 'azedamento' da relação entre os dois ainda é desconhecido da mídia, mas a motivação divulgada seria a metodologia usada no tal Portal da Segurança, sistema que pretende agregar informações de todos os órgãos de segurança do estado.

O chefe de polícia, assim como todo e qualquer policial civil teme que informação de caráter sigiloso pare nas mãos de maus policiais Se na PC esse risco existe, na PM então, que o efetivo é muito maior... em outras palavras: há um temor na instituição que informações sobre investigações importantes caiam nas mãos policiais-bandidos, em especial a possíveis corruptos que trabalhem no Serviço Reservado (P2). E mais: que essas informações sejam ‘vendidas’ a criminosos. Afinal, o poder está diretamente ligado à informação. Quem sabe mais, pode mais. A secretaria, por sua vez, garante o sigilo das informações da Polícia Civil.

Proposta de controle no acesso ao banco de dados
Em nota, Gilberto Ribeiro informa que quis apenas abrir a discussão sobre a metodologia usada no Portal da Segurança. Ele propõe ainda que haja um controle dos eventuais usuários do sistema pela própria Polícia Civil. Atualmente, há 12 centros diferentes de informações usados pela secretaria. Quem os acessa, precisa de 12 senhas diferentes. Sem dúvida, a integração entre todos representa um avanço, mas com os devidos cuidados, observados em lei. Dois dias antes da saída oficial, Gilberto já havia deixado o cargo à disposição, mas, na ocasião, o governador recusou.

Independentemente do que se fala sobre a saída do delegado, certo é que essa história do portal não foi a motivação, ao menos a única. Afinal, o próprio Allan Turnowski, também tem opinião muito semelhante à de Gilberto, segundo o presidente do Sindicato dos Delegados do Rio, Sérgio Caldas. Há informações ainda não confirmadas oficialmente de que Gilberto Ribeiro teria sido investigado pela Polícia Federal no inquérito que terminou com a prisão do também ex-chefe, Álvaro Lins, e que essa investigação poderia trazer em breve alguma ‘chateação’ para o chefe, que, investido no cargo, terminaria por manchar também a imagem da corporação, que Beltrame precisa tanto proteger.

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