terça-feira, 24 de março de 2009

Quem vive de passado é museu

Em vez de estarem preocupados em se fortalecer e conquistar títulos de expressão, alguns clubes do futebol brasileiro insistem em resgatar o passado para tentar amenizar um pouco os fracassos do presente. A bizarrice da vez agora é a iniciativa de alguns clubes de quererem que antigos torneios nacionais, como Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa (extintos há 40 anos), sejam computados na lista de títulos brasileiros. Fluminense, Botafogo, Palmeiras, Santos, Cruzeiro e Bahia, que venceram essas competições nas décadas de 60 e 70, organizaram um patético dossiê para entregar à CBF e terem suas conquistas reconhecidas.

A idéia é ridícula. A Taça Brasil não pode se equivaler ao Brasileirão porque os clubes do Rio e de São Paulo só entravam nas semifinais e a competição era mata-mata, nos moldes da atual Copa do Brasil, e disputada somente pelos campeões estaduais. Tudo bem, valia vaga na Libertadores, mas o formato era totalmente diferente. E o tal Roberto Gomes Pedrosa, apesar de ter sido o torneio embrionário do atual Campeonato Nacional, não tinha um nome nada sugestivo para equivaler a um título nacional.

Já perturbaram até a Fifa
Vira e mexe aparece uns dirigentes espertalhões aí para tentar reconhecer títulos ganhos no passado. Fluminense e Palmeiras, por exemplo, vivem fazendo campanha aí para fazer com que a Fifa reconheça a Copa Rio (torneio internacional disputado por vários clubes da Europa e América do Sul na década de 50) como título mundial. Não há como, porque essa competição era disputada apenas por times convidados.

Na década de 90, o Eurico Miranda (foto) encheu o saco da Conmebol para que esta reconhesse um torneio que o Vasco ganhou em 1948, no Chile, como título sul-americano. Vencida pelo cansaço, a confederação incluiu o clube na Supercopa dos Campeões da Libertadores de 1997, mas não levou em conta esse torneio em seu ranking.

Acho o seguinte: se o torcedor se considerou campeão disso ou aquilo, comemorou na época e pronto. Agora, tentar reconhecer títulos de passado longínquo é uma tremenda palhaçada, é falta do que fazer por parte destes dirigentes, que estão querendo fazer média com seus torcedores.

4 comentários:

  1. Não consegue títulos no presente, tem que tentar comemorar os do passado...

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  2. E time que comemora campeonato sem ter jogado a final? O Sport, coitado, teve seu título nacional cassado pela Flaprensa...

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  3. É realmente lamentável a situação do futebol brasileiro de maneira geral. São controlados por dirigentes completamente amadores, profissionalismo zero.Os melhores jogadores nascem feitos aqui, mas precisam ir para a Europa para brilhar, ganhar títulos e prêmio.O sonho não mais os grande clubes daqui, mas sim os principais times europeus como Real Mardrid, Barcelona, Milan, Inter, Manchester, entre outros. O país que deveria ter a NBA do futebol está fadado a competições medíocres.

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  4. sobre o comentário do anônimo em cima, vale destacar que a CBF em 1987 declarou que não tinha condições de organizar o Campeonato Brasileiro. Isso fez com que os maiores clubes do país resolvessem ter o próprio campeonato. Temendo perder prestígio político, a CBF voltou atrás e quis se intrometer. Mas aí a Copa União já tinha tabela, regulamento e cotas de patrocínio e televisão prontos. Quando a competição já tinha começado, a CBF inventou um absurdo e ridículo cruzamento com os vencedores do Módulo Amarelo (segunda divisão). Claro que os clubes não concordaram mas a entidade insistiu na idéia já que tinha que dar satisfação às federações que elegeram a dupla Otávio Pinto Guimarães e Nabi Abid Chedid. No final, Sport e Guarani resolveram dividir o titulo do Módulo Amarelo. Abandonaram o campo quando a disputa de penâltis estava 11 a 11 e não foram punidos. No ano seguinte, sem Flamengo e Internacional, os dois clubes fizeram uma patética decisão ignorada pela maioria do povo brasileiro. Portanto, essa história de que o Sport é campeão é pura invenção, lorota da CBF e dos trouxas que acreditam nela. Campeão de fato e de direito é o Flamengo, que enfrentou os maiores clubes do país.

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