quinta-feira, 12 de março de 2009

Quando a polícia se omite mas faz a coisa certa

Por Marcelo Bastos

Dia desses eu conversava com alguns policiais militares do 3º BPM (Méier) durante uma matéria e resolvi matar uma curiosidade. Perguntei a eles o motivo de nada ser feito com um traficante do Morro da Matriz, no Engenho Novo, que figura todos os dias de pistola e radiotransmissor a aproximadamente 10 metros da Avenida Marechal Rondon, uma das mais movimentadas da Zona Norte da cidade.

O que chama a atenção nesse caso é que o criminoso parece nada temer. Ele fica parado, de pistola na cintura e radinho na mão, quase chegando na vila olímpica do Sampaio, do lado direito da pista. Há uma pequena escada e no fim dela é possível encontrar o criminoso, que não é apenas um. Imagina-se que haja troca de turno e que aquele seja um ponto de observação. Qualquer pessoa mais atenta que passe de carro, ônibus ou a pé, percebe a incômoda presença.

Voltando à minha pergunta, ouvi dos PMs a resposta de que essa era uma situação conhecida, mas que nada era feito por ordem do comando e que esse assunto não deveria sequer ser tratado pelo rádio de comunicação da corporação. Segundo os policiais, que morrem de vontade de acertar um tiro no tal traficante, a omissão se daria pela quantidade de pessoas que ficaram em risco, já que na Marechal Rondon o movimento é intenso 24 horas por dia.

Percebi que o responsável por essa determinação de nada fazer a respeito era, na verdade, a coisa mais certa a fazer. Um ataque ao soldado do tráfico poderia provocar um confronto com conseqüências trágicas e de repercussão negativa na mídia. O tiroteio fecharia a via e provocaria uma troca de tiros ainda mais intensa com os demais traficantes da região. E tudo pra quê? Apenas para retirar um elemento de circulação, que seria substituído de imediato.

Nesse caso, o bom senso falou mais alto do que o cumprimento do dever legal e da sede de sangue de alguns policiais. Ainda bem...

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