segunda-feira, 23 de março de 2009

Cinco hospitais para um atendimento

Por Marcelo Bastos

No início do ano, Arthur, de apenas 8 anos, foi atropelado por uma moto em Engenheiro Pedreira, distrito de Japeri. Na ocasião, ainda havia uma ambulância do Samu na cidade, que o socorreu. Arthur foi levado para a Políclínica Itália-Franco, em Japeri, onde foi realizado o primeiro atendimento. O menino havia fraturado o crânio em três partes e precisava fazer exames que tinham de ser avaliados por um neurocirurgião, especialista em falta na unidade de saúde municipal.

A criança foi levada então para o Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, onde sequer deu entrada por falta de vagas. De lá, o pequeno Arthur rodou mais algumas dezenas de quilômetros até o Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense. Desta vez, havia o equipamento, mas não o especialista que deveria examinar a criança. Nada feito.

Arthur foi levado então para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde havia o especialista para atendê-lo, mas nada do equipamento necessário para o exame. Passadas algumas horas do acidente, o menino foi encaminhado para o Centro do Rio, onde finalmente encontrou um especialista e uma unidade equipada para recebê-lo. Acabou atendido no Hospital Municipal Souza Aguiar (foto), onde ficou internado e recebeu atendimento digno. Ficou algumas semanas de repouso em casa, mas hoje tem uma vida normal, sem qualquer seqüela.

Obs.: Não costumo pedir favores, mas naquela noite do acidente com Arthur, que é meu primo, liguei para pelo menos três autoridades da área de Saúde do Rio para pedir ajuda, tamanho era o desespero da mãe da criança, pobre e, portanto, sem plano de saúde. Fico imaginando quantas pessoas se acidentaram na noite daquele sábado e passaram pelo mesmo drama. Pessoas com ferimentos ainda mais graves e que não tiveram a quem recorrer...

2 comentários:

  1. é só ver as filas nos hospitais, principalmente Miguel Couto, souza Aguiar e Salgado Filho. Todo santo dia é a mesma coisa. Até quando ira durar isso.

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  2. Pois é. E engana-se aquele que pensou que as Upas fossem desafogar as grandes emergências. Ficam lotados os hospitais e as Upas. A do Enegenho Novo, por exemplo, está sempre cheia.

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