segunda-feira, 23 de março de 2009

As grandes batalhas do tráfico na Zona Sul carioca

Até o início deste século, a Zona Sul do Rio era considerada neutra em termos de guerras entre facções criminosas. Praticamente todas as favelas, com exceção do Morro Azul (Flamengo), eram controladas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV). A situação começou a mudar após a morte de Dênis Leandro da Silva, o Denis da Rocinha, assassinado dentro de Bangu 1, a mando de Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP.

Com sua morte, ascendeu o poder Luciano Barbosa da Silva, o Lulu da Rocinha. Já naquela época, o CV vivia grande crise em razão de seus líderes soltos serem jovens consumidores de drogas e excessivamente violentos com a polícia e as comunidades. Com seus altos lucros na venda de drogas (R$ 50 milhões por mês), a Rocinha (foto), que recebia cocaína colombiana do bando de Fernandinho Beira-Mar, praticamente sustentava o CV. O dinheiro da Rocinha servia, por exemplo, para pagar despesas nos presídios e de familiares. Essa situação passou a incomodar Lulu, que passou a manter conversas com Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, líder da Amigos dos Amigos (ADA).

Semana Santa marcada pelo terror
No final de 2003, o traficante Eduíno Eustáquio, o Dudu recebeu o indulto para passar o Natal em casa e não retornou para a cadeia. Tinha a promessa da cúpula do CV e do próprio Lulu de que receberia parte da favela. Entretanto, Lulu não aceitou entregar a Rocinha e se aliou à ADA. Em resposta, o CV organizou uma grande invasão à favela durante a Semana Santa de 2004.

Mais de 60 bandidos fizeram falsa blitz na Av.Niemeyer para roubar carros e atacar a Rocinha. Houve intensa troca de tiros. Cinco morreram. Durante a semana, mais nove foram mortos, entre eles o próprio Lulu. No final, o CV não conseguiu retomar a Rocinha, que passou a ser ADA.
Não satisfeitos, os traficantes da Rocinha, agora liderados por Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, tomaram também o vizinho Morro do Vidigal, que passou a ser palco de várias guerras entre as duas facções. Numa delas, em 2006, 25 bandidos do CV tentaram retomar a favela, que resultou em sucessivos tiroteios por vários dias, que deixaram um saldo de 13 mortos.

Quartel do Exército atacado
Em fevereiro de 2006, o CV mais uma vez tentou invadir à Rocinha. Seis pessoas morreram e a facção perdeu seis fuzis. O desfalque levou o grupo a atacar um quartel do Exército e roubar 10 fuzis que foram posteriormente recuperados. Em 2008, um traficante conhecido como Canelão tentou aplicar um 'golpe de estado' na Rocinha e se tornar CV, mas fracassou.
Após a Rocinha e o Vidigal, o confronto chegou ao Morro Chapéu Mangueira, no Leme. Os próprios traficantes da Rocinha atacaram a favela e assumiram o controle em maio de 2007. O CV a recuperou meses depois. No ano passado, no entanto, o traficante José Ricardo Rosa, o Cagado, se juntou a bandidos do Morro da Serrinha, em Madureira, ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) e conseguiu tomar a comunidade do CV.

Um comentário: