sexta-feira, 20 de março de 2009

Área sob domínio de milícias registra poucas mortes em confronto com a polícia em 2008

Um dado curioso mas que pode servir para reflexão. A Área Integrada de Segurança Pública (AISP) 39, que abrange os bairros de Campo Grande, Inhoaíba, Cosmos, Senador Vasconcelos e Guaratiba, na Zona Oeste, somou no ano passado apenas 11 casos de autos de resistência (mortes em confronto com a polícia) e nenhum policial morto em serviço durante os 12 meses de 2008. Vale lembrar que nesta área atuam as milícias Liga da Justiça, comandada atualmente pelo ex-policial militar Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, e o Comando Chico Bala, chefiado pelo também ex-PM (expulso esta semana) Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala.

Praticamente todas as favelas desta região (Barbante, Carobinha, Vilar Carioca, Urucânia, Foice, entre outras) são controladas por grupos paramilitares formados por policiais, ex-policiais, bombeiros e agentes penitenciários. Essas comunidades, normalmente, não costumam ser alvo de grandes operações policiais, muito menos registram tiroteios entre policiais e bandidos. Quando há alguma ação no local, o comum é se apreender equipamentos de gatonet ou depósitos de gás. Por isso, não é de se estranhar o número reduzido de mortes em confrontos. Em outras áreas, como a AISP 9 (Rocha Miranda), recheada de favelas dominadas pelo tráfico, ocorreram 196 mortes em embates com policiais. Na AISP 16, que compreende o Complexo do Alemão, foram 117 mortes. Até áreas que ficam na Zona Sul, como a AISP 23 (Leblon, Gávea, Ipanema, Lagoa, São Conrado) registrou mais óbitos em confrontos do que a AISP 39 (29).

A AISP 39 não teve nenhuma morte de policial em serviço em 2008 mas se computarmos os de folga, chega aos montes. Muitos crimes podem ter ligação com as milícias. Em 25 de outubro, por exemplo, dois PMs em folga foram mortos no mesmo dia. O soldado Wallace Pimenta Vitorino, do BPChoque, morreu ao chegar em casa e o soldado Edson Amaral da Costa Júnior (2º BPM), assassinado ao sair para trabalhar.

Um outro dado. A AISP 39 apresentou o terceiro maior índice de homicídios da capital no ano passado. Foram 278 assassinados, só perdendo para a AISP 9 e AISP 14 (Bangu).

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